quinta-feira, 16 de outubro de 2014

amor



Um golpe de estados

Um golpe de estados. Da geografia das almas. Um amor que não tem distância. Múltiplas essências na mistura dos contextos. Texturas e sensibilidades ao invés de testes. Microvilosidades subjetivas. Tragos homéricos quando presentes. Estragos só nos sós: na parcial divisão dos mundos. O nosso desígnio é uma sina superável. A ilusão metafísica da ponte para unir aquilo que nunca está separado. O sentido. Sentimento acumulado. Pré-compreensão sensível. Nossa janela tem mares no horizonte. Tem lúgubres carinhos. Criativas aberturas de pequenos lugares. E o jeito do outro enquanto obra de arte. Um acontecer da verdade. De gostar do ser do outro. Não há afeto mais concreto.  Concretude afinidade existencial. Compartilhamos a política, a profissão e a poesia. Além do deboche do superficial. Amor leve, lúdico, carnal, por vezes louco. Consistente em seus infinitos instantes. Amor de questionamentos nietzscheanos. De sambas de Paulinho da Viola. Da psicanálise nos discursos e do desejo como fundamento.
Jayme C.   

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

eleição, política & politização

Qual o grau de politização dos gaúchos? Ou diálogo com um maranhense

Aqui no Maranhão uma pessoa me perguntou sobre as eleições para o Rio Grande do Sul. Meu interlocutor indagou-me se o gaúcho é um povo politizado. Daí, eu descrevi o resultado das eleições e deixei que ele próprio compreendesse a politização dos gaúchos.
Esse não é um argumento petista. Tampouco, uma crítica ao antipetismo, mas uma tentativa de interpretação de fatores da politização dos gaúchos a partir do resultado democrático concreto. Portanto, tentarei ao máximo evitar pré-concepções idealistas sobre o resultado acontecido.
O deputado federal mais votado, Luiz Carlos Heinze, revela em sua expressiva votação que representa uma considerável parcela do povo gaúcho.  Em uma audiência pública realizada no município de Vicente Dutra, em novembro de 2013, Heinze afirmou que "quilombolas, índios, gays, lésbicas são tudo que não presta". E esse é um dado conhecido de grande parte da população gaúcha. Ora, não podemos ser ingênuos como recentemente FHC o foi ao afirmar a desinformação de quem não pensa como ele. Foi amplamente divulgada nos meios de comunicação essa atitude de Heinze. As pessoas que votaram nele, de alguma forma, realmente acreditam que "quilombolas, índios, gays, lésbicas são tudo que não presta". Eu penso radicalmente diferente. Porém, sei que têm milhares de gaúchos no interior e na capital que pensam assim. Em nossa jovem democracia parte da população gaúcha acredita que o discurso de Heinze os representa. Por essa razão, votaram nele. É um exercício de olhar para dentro do que somos, enquanto povo, mesmo que nós e nossa “timeline” no Facebook consideremos até mesmo criminoso o discurso de Heinze. Repito: não podemos tolamente acreditar no desconhecimento do outro. Os próprios adversários de Heinze ocuparam-se em difundir as suas ideias e visão de mundo.
Da mesma, forma, a eleição de Jardel, apadrinhado politicamente pelo ícone do PSD no Rio Grande – Danrlei. Por isso, primeiro acho justo nos indagarmos qual o grau de cidadania que Danrlei demonstrou enquanto figura pública do esporte. Ora, se Dunga se candidatasse eu compreenderia a sua possível eleição, já que ele demonstrou, durante a sua trajetória, práticas e discurso isonômico, virtudes que me parecem importantes para um representante parlamentar. Danrlei, entretanto, passou há léguas disso.
Os cientistas políticos alegam ter sido o voto dos torcedores que elegeu Danrlei. Fico imaginando se os torcedores que votaram no arqueiro gremista, não são parte daqueles que “morrem pelo seu time”. Torcedores que, normalmente, afloram facetas selvagens dentro dos estádios de futebol. Danrlei se reelegeu e levou na carona Jardel, sujeito que tampouco teve domicílio eleitoral no Rio Grande do Sul na maior parte da sua vida. Um dado óbvio sobre a eleição de Jardel: o candidato escolheu o Estado do clube onde ele foi ídolo para concorrer ao pleito. Entretanto, novamente é importante destacar que Jardel e Danrlei representam parte dos gaúchos. Acho frágil em nível de cidadania ir às urnas no domingo da eleição e votar como torcedor e não como cidadão. Porém, essa é apenas a minha leitura.
O senador eleito Lasier Martins é o caso mais polêmico. Muitos o odeiam e muitos o amam. Tendo em vista as manifestações (reais e virtuais) que ambos os lados fizeram, a adjetivação entre o amor e o ódio cai como uma luva ao senador. Detentor de repulsa pelos cidadãos de esquerda foi aclamado nas urnas como o escolhido dos gaúchos. É quase unanime que a sua candidatura foi alavancada pelos anos de exposição na RBS. Acho que esse é o ponto, como nos casos acima. Qual o estofo político que Lasier manifestou enquanto jornalista? Lasier demonstrou cidadania em suas práticas e análises jornalísticas? Foi à primeira eleição de Lasier. Assim sendo, seus eleitores votaram no jornalista famoso e não em uma possível trajetória política que neste caso, nem sequer foi construída ainda. Lasier Martins representa pelo menos dois milhões de gaúchos.
Acredito que os exemplos analisados podem ser um Norte sobre o discurso fundante de milhões de gaúchos, povo que avoca cotidianamente a tese de ser o mais politizado do país. Não saberia dizer se isso é verdade ou não, afinal, trata-se de uma questão complexa demais para essa breve crônica. Aliás, voltando ao meu interlocutor maranhense, este descreveu o que vivemos aqui no Maranhão: depois de 50 anos a família Sarney perdeu uma eleição, confirmando a minha ideia de que atualmente as pessoas sabem quem são os seus representantes. Nesse horizonte está recolocada a questão: e os gaúchos – sabem qual o seu grau de politização?

Jayme Camargo

sábado, 16 de agosto de 2014

vida como um filme

Um sábado sobre o amor
O sábado havia sido primaveril naqueles dias de inverno. Uma trégua para o frio. Assim deslizamos abraçados em mais um de nossos incríveis encontros. Nossa familiaridade foi desenvolvida. E mesmo na discrição do nosso ser-com, o nosso compartilhamento de mundos refletido em nossos jeitos. Habitamos conjugadamente no complexamente simples. Temos no desejo do outro um critério sempre observado. E assim nossos acordos são leves e fáceis em face da sensibilidade significada. Nosso cotidiano é um acontecimento, é fenômeno, fenomenológico. Vivenciamos as vivências comungadas sempre a flor da pele. Nossos mitos fundantes demonstraram abertura para um diálogo agregador e constante. E assim mais um horizonte re-significados ao invés de re-calcados. Tivemos momentos de lampejos de paixão adolescente, aquelas primeiras que nos transbordam de sentimento, ao darmos as mãos recolhidos em nosso mundo possível. Tivemos momentos de múltiplos sorrisos no deboche oriundo do disco quebrado. Adoramos o contexto: “assim você não vai mais ser convidado”, pois nele estava implícito o nos encontramos para ficar. Fugimos já no começo da madrugada para apenas juntos re-pousar. De fato aterrissamos na vida do outro. E a partir de então as vivências ganharam um tom vida como um filme. Um golpe de estado(s)! Das almas e dos “brasis”. Naquele sábado, a vida nos re-uniu e Caetano nos cantou...
Jayme C.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

#hashtagscompartilhadas



GOSTO
Gosto dos seus múltiplos penteados. De seus mais diferentes sorrisos nos retratos. Das cores dos seus vestidos. De seu charme em sua serena inquietude. Gosto do seu jeito de ser habitado na alteridade. Gosto da sua idade, de compartilharmos a geração. Gosto do modo com o qual ela se relaciona com a sua história. Da narrativa que constrói a partir de suas tragédias e glórias. E de sua capacidade de chorar. Gosto muito de sua desenvoltura. Mas também dos seus lampejos de timidez. Gosto de sua sensibilidade forte. Gosto do seu ser maluquinha em sua alma dadivosa. Gosto que ela gosta do samba. E de amor. Ela sabe gostar... Gosto de sua criatividade. Do modo como ela adere às brincadeiras. Gosto das # (hashtags) compartilhadas. E do seu deboche sagaz permeado de “vamos viver-à-vida”!  Gosto muito da sua afrodisíaca inteligência. Gosto de dançar com ela. Gosto de transar com ela. De ouvir Lenine e trocar ideias até as altas da madrugada. Gosto da sua dedicação para o trabalho. De suas mais variadas competências. Gosto do seu apreço pelo uísque.  A cada dia que passa gosto mais dela. Gosto que ela me faz voltar à poesia...
Jayme C., de SLZ para POA, 00:12, 25/07/2014  

terça-feira, 15 de julho de 2014

diário do maranhão

Delírios maranhenses I (trabalho & saudade)
Meu trabalho é muito legal. O ambiente acadêmico quando é composto de juventude e responsabilidade, além da fundamental tranquilidade com os egos, é muito agradável. E isso que as aulas começam apenas segunda que vem. Ficamos na coordenação do curso resolvendo questões acadêmicas, como monitorias, grupos de pesquisa, enfim, toda a sorte de burocracias fundamentais em qualquer espaço institucional. Acredito cada vez mais na responsabilidade e disciplina na organização como os critérios para que as coisas aconteçam. E para isso não é preciso ser sério, no sentido de carrancudo e fechado. A leveza é sempre um diferencial e os pequenos deboches com (o) fundamento um modo de ser-no-mundo. Responsabilidade com leveza é a minha busca profissional. E a vivência do momento é de foco absoluto nesse ponto. Tenho estudado bastante, lendo linha-a-linha e fazendo fichas de leitura, ao modo como procediam os professores e melhores alunos da Filosofia da UFRGS. Em média 6 a 8  horas por dia. Estou muito feliz com as disciplinas que vou lecionar. Sobretudo com “Hermenêutica, Lógica e Argumentação”. Heidegger e Gadamer já estavam entre o conteúdo programático do curso. É uma das disciplinas mais criticas do projeto pedagógico. Que é maravilhoso, diga-se de passagem, pois traz referências como Paulo Freire e Luiz Alberto Warat.    

Como eu suspeitava, as pessoas são incrivelmente mais abertas que no sul. As pessoas contam a sua história em 5 minutos de conversa. E Isso é muito – muito afudê! Obviamente meus amigos e família são o que falta. Com relação aos amigos, é incrível a falta sem dor que eles me fazem. Os meus amigos sabem que eu sou apaixonado por eles. Entretanto, sei do carinho deles à distância. Não me sinto nenhum pouco só e desse modo desfruto a solitude sem revezes da solidão. No quesito amigos, a vida parece me brindar com a sorte dos melhores. Já na chegada encontrei pessoas que parecem ser muito bacanas. O símbolo disso tudo posso resumir na figura de Bruno Azevedo, o sujeito que tem o coração do tamanho do Maranhão. Fiquei no hotel logo que cheguei, e teria ficado mais uns 4 dias caso a generosidade de Bruno não fosse sem tamanho. Ele me levou para a sua casa, junto com Bebel – sua filha linda de 3 anos e sua companheira. Fiquei dois dias sozinho em sua casa, pois foram viajar. Uma família deveras inteligente e encantadora. Aliás, o Bruno é um dos mais ricos personagens do Maranhão. Além de colega na docência enquanto antropólogo que é, também é escritor, músico e editor de livros. Até no Jô Soares já foi e deu uma engraçadíssima entrevista. Aos poucos vamos construindo uma bonita amizade tal como as construídas na província. Eis um horizonte: saudades sem dor… Pois, com dor, apenas de uma pessoa, e ela sabe o porque.
Jayme C., de SLZ para POA.

sábado, 5 de julho de 2014

carinho



                     Para a “siiiiiiiiiim” (é claro).

SOBRE CAFÉS & MANHÃS (o carinho desapegado)
Passei o último mês em POA na condição cotidiana que mais gosto, isto é, a de (pseudo) antropólogo urbano. O foco de análise recaiu sobretudo na noite da CB e seus desvãos afetivos. Re-colhi um farto material. Desde o texto que escrevi sobre o diálogo que tive com uma amiga, a menção ao “café da manhã” fruto de um pós-noite dionisíaco, passou a ser um deboche corrente entre os amigos. Era surgir algum evento festivo e já vinha uma mensagem no grupo do “zap-zap”: “quero noite e café da manhã!”. O ponto é o carinho desapegado. Ou seja, mesmo que o encontro afetivo dure só uma noite, não há razão para não sermos carinhosos. Parece óbvia essa micro tese, ao passo que se escolhemos dividir algumas horas da nossa vida com o dito cujo que estamos ficando, um mínimo de delicadeza deve haver. Ora, quem não tem competência que não se estabeleça, relembrava a referida amiga em minha festa de despedida. E nesse contexto competência significa diversas questões. Primeiro que o sujeito tenha a sensibilidade de não confundir carinho com promessa de casamento. Carinho é coisa do ser humano (de alguns); e o casamento, ao menos em meu poluído imaginário, remete a seguinte cadeia de conexões: noivas-->padres-->igrejas-->Deus-->morte. As duas últimas no sentido nietzscheano dos termos!

Enfim, a sensibilidade de fazer a leitura correta do carinho deve ser de quem dá e de quem recebe. Aliás, quem não gosta de carinho bom sujeito não é. No mínimo é mal resolvido. Isso faz lembrar um amigo que estava ficando com uma garota de uns 26 anos que lhe disse não gostar de carinho. Ele, nego-véio no pagode, não deixou de perceber a loucura da garota e logo transformou a “ficância” em amizade. Legal que esse amigo e a amiga do diálogo acabaram ficando em uma festa. Acho que se curtiram, pois se encontraram no carinho desapegado. O mais incrível é quando o carinho desapegado é vivido com tanta maturidade que se transmuta em “eternidade descompromissada”. É o último degrau antes da paixão. Daí a cadeia é outra: categoria-nas-práticas-->encantamento-->eternidade descompromissada-->paixão. Meu último café da manhã em POA fez perceber essa última cadeia de fatos. Era para ser só uma cervejinha, mas virou uma viagem para dentro da gente. Nessa frase estamos conjugados. Caetano não teria deixado de cantar essa condição da alma: “tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo...”.
Jayme C., de SLZ para POA, 05/07/2014, 02:24.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

amor e amizade



É proibido ficar com o ex de um amigo?
Depois de um agradável café com a professora que serei colega no Maranhão, vi o excelente show da Tribo Brasil ontem na Casa de cultura M.Q. Encontrei 4 amigas que são interessantes mulheres. Fomos beber no 512 e demos muitas risadas debochando do cotidiano em geral. Amigos, solteiros (?), logo, acabamos tornando as relações fugazes da vida tema de alguns deboches. Nesse momento falamos sobre o fato corriqueiro de em uma cidade grande-pequena, tal como POA, ficarmos com os ex-namorados(as) de algum(a) amigo(a). A mesa foi unanime, pois não foi burra, preferiu ser realista. Ou seja, todos julgaram normal e não trataram o fato como um pecado. Lembrei que em meu grupo de amigos mais próximo, uma das minhas melhores amigas namorou um dos amigos e anos depois casou com outro da mesma turma. E continuamos muito amigos e com os amores preservados entre todos. Na mais absoluta tranquilidade. Acho deveras louvável essa maturidade. Claro que o sujeito não vai sair procurando a pessoa que recém se separou de um próximo –, observamos em nosso trepidante papo na terça chuvosa da província. Entretanto, transcorrido o tempo do bom senso e acontecendo a recíproca “interessância” em uma madrugada da vida: sinal verde conferido pela nossa síntese etílica. Afinal de contas, a Cidade Baixa e redutos de certa boemia porto alegrense são pequenos e favorecem (re)encontros de pessoas da mesma vibe. Acho que há uma dupla desconstrução a ser feita nesse tabu. A primeira, com relação ao amigo que não pode se sentir dono de outra pessoa que já passou. E a derradeira, na velha moral surrada que sustenta conservadorismos ultrapassados no imaginário das pessoas. Uma lição de Nietzsche é jamais trocar um mo(vi)mento dionisíaco libertador em nome de uma moral de valores inodoros, insípidos e incolores. Estarmos em um dos polos dessas situações que envolvem amigos e ex-namoradas(os), só prova que estamos vivos. E assim sendo, um brinde ao “amor fati”!
Jayme C.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

copa da elite



A ELITE VAI(A) NA COPA

A elite vaia o bolsa-família arrotando o caviar do jantar.

Estuda em belas escolas e depois na federal, mas vaia as cotas e sua importante repercussão social.

A elite vaia a corrupção, mas gosta dos tucanos fundadores do mensalão.

A elite mesquinha não suporta a democracia na aviação. Acha que
“voar” é um monopólio seu...

Quer o encarceramento da miséria para limpar a “sujeira” que tanto os desespera.

A elite vaia na copa, pois custa uns 500 para frequentar.

Só a elite vai(a) na copa.

Jayme C.