sexta-feira, 27 de setembro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
futebol
Fim da era Dale? (uma pergunta em favor de
Ribeiro Neto)
Devo ser o gremista que menos odeia e mais admira o Dalessandro. Todo
aquele que gosta de futebol acaba admirando o futebol do gringo. Ele é o modelo
de articulador eficiente e campeão. Faz toda a meia cancha jogar. Faz o
movimento necessário para que o time ganhe a partida, isto é, toma conta do
meio campo, lugar em que sabemos se decidem os jogos. Mesmo nesse inter
irregular do Brasileiro de 2013, Dalessandro é disparadamente o melhor jogador
do colorado. Entretanto, o time não repete a consistência de outrora. E nas
derrotas o caça as bruxas não separa mocinhos de vilões. Todos passam pelo
crivo dos milhões de entendedores do futebol. Não seria diferente com Dale. O
jornalista Ribeiro Neto da Band AM 640, defende que a era Dale acabou, que
parte da inconsistência colorada passa pelo fim do ciclo de seu principal
maestro. Na derrota do último domingo para a Portuguesa, Dalessandro respondeu a
Ribeiro Neto, na coletiva após o jogo. Disse que ficaria por muito tempo no
colorado e que não adianta quererem tirá-lo de lá. Em um primeiro momento, a
idéia de mandá-lo embora parece absurda e incoerente, ao passo que como
referido acima, Dale é o melhor do time. Porém, pensando e repensando, talvez
Ribeiro Neto tenha alguma razão. Eu disse talvez. De fato, estou em dúvida. Ressalvo
para que ninguém venha pesar com ufanismos vermelhos. O papo aqui é futebol e
não sobre gremistas e colorados. Enfim, Dalessandro está há 5 anos e meio no
Beira rio. Raramente alguém permanece tanto tempo em um mesmo clube. Ganhou quase
tudo pelo inter. No entanto, a fadiga dos metais costuma nos mostrar a
importância de mudar. É difícil continuar motivado depois de estar no ápice. Lembremos
que esse já será o segundo ano seguido de um time desorganizado no colorado. O
fato mencionado antes de Dale ser o motor e alma do meio campo é exatamente o
que pode estar descarrilhando o inter, pois o natural desgaste está colocado. O
condutor do time é como o maquinista de um trem, deve sempre ter um olhar no
horizonte. Pergunto aos colorados, será que Dale ainda o tem? Será que seu
destaque individual se dá pela pobreza tática e técnica de outros que se
esperava bem mais? É o fim da era Dale?
Jayme C.
subjetividade(s)
DEFEITOS & VIRTUDES: MOEDAS SUBJETIVAS DE DUPLA FACE
Acredito na ideia que os meus defeitos me definem bem mais que as virtudes. A razão para essa crença deriva do fato de meus defeitos serem constitutivos da minha vida, história e trajetória, mais do que as virtudes. Além de suspeitar também que minhas imperfeições ainda existam em maior número. Com relação aos defeitos serem mais constitutivos, penso que nascemos sendo animais cheios de falhas. O tempo nos permite ir corrigindo alguns desses vícios, na medida em que os anos passam. É o maravilhoso lapidar da existência. Nesse processo vamos transformando surrados defeitos que carregamos por muito tempo em preciosas virtudes. Constatar essa transformação em nossas práticas cotidianas é confirmar que em pelo menos algum aspecto estamos de fato mudando. Para os que buscam amparo terapêutico, aliás, trata-se de uma incrível conquista. Entretanto, é muito difícil mudar as práticas. Temos um determinado jeito-de-ser e depois que ele se dá é que nos damos conta de como ele é. Somos inconscientes. E des-construir o nosso inconsciente demanda tempo e dedicação. Nesse contexto a razão ocupa um lugar importante. Acredito que devemos buscar a máxima consciência dos próprios defeitos ao invés de racionalizar as virtudes. Se as virtudes são racionalizadas, então a chance de inflar os nossos já espaçosos egos é grande. É a tarefa cotidiana de dominar internamente o nosso monstro chamado ego para que ele não projete nossas vaidades sobre o outro. E o que fazer com as virtudes? Gozar as conquistas que elas nos proporcionam. Viver com alegria e humildade a felicidade das vitórias que as nossas habilidades nos brindam. Desse modo, a evolução subjetiva faz com que cada grande defeito que temos corresponda a uma virtude. São as moedas subjetivas que compõe as nossas vidas e tais como as moedas do capital estão em dupla face. Daí a necessária referência à humildade, isto é, não dá pra se achar.
Jayme C.
Acredito na ideia que os meus defeitos me definem bem mais que as virtudes. A razão para essa crença deriva do fato de meus defeitos serem constitutivos da minha vida, história e trajetória, mais do que as virtudes. Além de suspeitar também que minhas imperfeições ainda existam em maior número. Com relação aos defeitos serem mais constitutivos, penso que nascemos sendo animais cheios de falhas. O tempo nos permite ir corrigindo alguns desses vícios, na medida em que os anos passam. É o maravilhoso lapidar da existência. Nesse processo vamos transformando surrados defeitos que carregamos por muito tempo em preciosas virtudes. Constatar essa transformação em nossas práticas cotidianas é confirmar que em pelo menos algum aspecto estamos de fato mudando. Para os que buscam amparo terapêutico, aliás, trata-se de uma incrível conquista. Entretanto, é muito difícil mudar as práticas. Temos um determinado jeito-de-ser e depois que ele se dá é que nos damos conta de como ele é. Somos inconscientes. E des-construir o nosso inconsciente demanda tempo e dedicação. Nesse contexto a razão ocupa um lugar importante. Acredito que devemos buscar a máxima consciência dos próprios defeitos ao invés de racionalizar as virtudes. Se as virtudes são racionalizadas, então a chance de inflar os nossos já espaçosos egos é grande. É a tarefa cotidiana de dominar internamente o nosso monstro chamado ego para que ele não projete nossas vaidades sobre o outro. E o que fazer com as virtudes? Gozar as conquistas que elas nos proporcionam. Viver com alegria e humildade a felicidade das vitórias que as nossas habilidades nos brindam. Desse modo, a evolução subjetiva faz com que cada grande defeito que temos corresponda a uma virtude. São as moedas subjetivas que compõe as nossas vidas e tais como as moedas do capital estão em dupla face. Daí a necessária referência à humildade, isto é, não dá pra se achar.
Jayme C.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
semana esfarrapada
A revolução esfarrapada
e o hino nos estádios
Faz algum tempo que se toca o hino do RS antes das partidas de futebol.
Faz também algum tempo que me chama a atenção a hipnose e o transe coletivo que
esse momento gera nos gaúchos médios. Cantam como se o retratado no hino fosse
a mais gloriosa das revoluções. Acreditam que o orgulho de ser gaúcho deriva
desse portal das virtudes que é a revolução esfarrapada em seus imaginários. Os
gaúchos médios são a maioria nos estádios após a sua elitização. São os mesmos
que acordam ouvindo e acreditando na Rosane Oliveira, almoçam com Lasier
Martins, veneram a Cia Zaffari, são contra as cotas na universidade pública,
contra médicos cubanos para atender aos pobres (dado que contam com a segurança
da Unimed), defendem a redução da maioridade penal. Ou seja, são conservadores. Tal
como os escravagistas e loucos pelo lucro oriundo do charque que levaram a cabo
a tal revolução. Desse modo, o eterno retorno do mesmo parece confirmar a
representação do passado em nosso presente bandido disfarçado de libertário.
Falam do RS como se fosse à terra prometida. Quem nunca ouviu por aí algum
gauchão tradicionalista sustentar: “aqui no Rio grande é diferente!”?! Durante
duas semanas em setembro ficam acampados em um parque chamado Harmonia, porém
acham uma barbaridade quando se acampa na Câmara municipal para se protestar
por melhorias. Harmonia desde que não apareça a diferença, na medida em que lá
é proibido que pessoas homoafetivas manifestem a sua liberdade na semana
esfarrapada. O que acho mais inoportuno é quando vejo crianças reproduzindo
esse comportamento no horizonte das atitudes dos pais. Quiçá o hino esteja
certo em um ponto: “povo que não tem virtude acaba por ser escravo” do destino
enquanto pré-conceito.
Jayme C.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
lulu santos
Meu afeto pós-reprimido
por Lulu Santos
Eu nunca tinha sido muito fã do som do Lulu Santos. Paulinho da Viola, Martinho
da Vila e outros congêneres sempre me tocaram muito mais. Em idos de 2000 comecei
a ler e me dedicar para algumas atividades intelectuais. Chato, como boa parte dos
sujeitos que se dedicam exclusivamente ao pensamento, passei a criticar sem
piedade artistas que (a meu ver) faziam musicas comerciais e tinham relações
globais. Lulu não ficou de fora de críticas vorazes às suas canções.
Ocorreu que fui ao Planeta Atlântida de 2012. O grande músico e querido
amigo Chico Bretanha ia tocar no camarote do Planeta com a magnífica banda “Império
da Lã”. Fomos eu e as queridas amigas Aline Medina e Letis (namorada do Chicão).
Chegando lá havia uísque e Red Bull no camarim da Império da lã. Os rapazes da
banda foram fazer seu show e eu acabei ficando como guardador dos etílicos. Foi
uma das melhores funções que desempenhei em minha vida, isto é, de porteiro do uísque!
Puxa vida, que trago! O estrago só não foi maior porque havia Gattorades para
amenizar os delírios.
Terminado o show da Império fomos ao palco central. Estava começando o
show do Lulu Santos. Foi aí que inebriado pelas doses do “cachorro engarrafado”
me percebi cantarolando marotamente todas as canções de Lulu. Aline Medina ainda
disparou: “essas músicas são para nós, velhos, perto dessa piazada que está
aqui; nós conhecemos e acreditamos!”. E foi aí que mudou a minha relação com o som
de Lulu Santos. Não dava mais para colocar pré-conceitos na frente da minha
sensibilidade. Era hora de não mais reprimir o meu encontro com Lulu. Até o
cigano Igor apareceu (aquele que dizem ter feito merdas violentas no passado) e
se divertiu ao som de Lulu com a gente. Moral da história: na arte enquanto
forma de vida, mais vale uma sensibilidade acolhida do que uma razão pré-conceituosa.
Até porque – nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.
Jayme C.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
fakebook
FAKEBOOK: a era do vazio.
Estive durante um longo tempo na lista dos maiores carentes da província. Foram quase 10 anos de terapia com um sujeito chamado “Fausto” para preencher comigo mesmo um pedaço do vazio existencial. Nada é por acaso. Dr. Fausto foi a primeira pessoa a falar de autores definitivos à minha formação, tais como Martin Heidegger, Norbert Elias e Contardo Caligaris. Aliás, meu orientador de mestrado, o “pai-de-todos”, Ernildo Stein, foi orientador de Fausto na especialização em psicanálise da Unisinos.
Enfim, perdi o posto dos primeiros lugares em vazio. O facebook posta diariamente essa confirmação para mim. É impressionante a necessidade que as pessoas têm de postarem o que estão fazendo. De publicizarem aquilo que estão vivenciando, mesmo que não seja algo engraçado, debochado, inusitado ou interessante para os outros. Dou esse desconto, ou seja, se a pessoa está caminhando na Rua da Praia e tropeça com Chico Buarque, então acho justo e digno que ela não só fotografe e poste, como também faça um tratado sobre a emoção desse encontro. Todos temos em nosso feed de notícias sujeitos com uma imensa necessidade de dividir até as suas agruras no banheiro. Por exemplo, postar como uma conhecida postou (por telefone), “em Paris, tudo ótimo!”, é digno de um tratado sobre a indigência existencial. Esse caso é simbólico para o relato. Fico pensando, se eu estivesse em Paris, então de onde brotaria a necessidade de avisar os outros que lá estou? Será que estar em Paris (para nós provincianos e terceiro-mundistas) não é suficiente para nos sentirmos plenos? Será necessário que os outros saibam que estamos em Paris para que a nossa viagem seja mais feliz? Temos que aprender a viajar conosco mesmos. Física e espiritualmente. Só assim seremos livres de verdade. Talvez essa carência seja fruto de tanta relação fake no horizonte das amizades cotidianas. Isto é, vazio por dentro e por fora. Devemos nos emancipar subjetivamente para ser autênticos sujeitos de desejos. Entretanto, preencher de si mesmo o vazio existencial é como a leitura, a natação, a yoga, ou seja, experiências que implicam recolhimento e solidão. Temos a tarefa de sermos nós mesmos. Ou seguir nos afirmando na dependência do mural dos outros.
Jayme C.
Estive durante um longo tempo na lista dos maiores carentes da província. Foram quase 10 anos de terapia com um sujeito chamado “Fausto” para preencher comigo mesmo um pedaço do vazio existencial. Nada é por acaso. Dr. Fausto foi a primeira pessoa a falar de autores definitivos à minha formação, tais como Martin Heidegger, Norbert Elias e Contardo Caligaris. Aliás, meu orientador de mestrado, o “pai-de-todos”, Ernildo Stein, foi orientador de Fausto na especialização em psicanálise da Unisinos.
Enfim, perdi o posto dos primeiros lugares em vazio. O facebook posta diariamente essa confirmação para mim. É impressionante a necessidade que as pessoas têm de postarem o que estão fazendo. De publicizarem aquilo que estão vivenciando, mesmo que não seja algo engraçado, debochado, inusitado ou interessante para os outros. Dou esse desconto, ou seja, se a pessoa está caminhando na Rua da Praia e tropeça com Chico Buarque, então acho justo e digno que ela não só fotografe e poste, como também faça um tratado sobre a emoção desse encontro. Todos temos em nosso feed de notícias sujeitos com uma imensa necessidade de dividir até as suas agruras no banheiro. Por exemplo, postar como uma conhecida postou (por telefone), “em Paris, tudo ótimo!”, é digno de um tratado sobre a indigência existencial. Esse caso é simbólico para o relato. Fico pensando, se eu estivesse em Paris, então de onde brotaria a necessidade de avisar os outros que lá estou? Será que estar em Paris (para nós provincianos e terceiro-mundistas) não é suficiente para nos sentirmos plenos? Será necessário que os outros saibam que estamos em Paris para que a nossa viagem seja mais feliz? Temos que aprender a viajar conosco mesmos. Física e espiritualmente. Só assim seremos livres de verdade. Talvez essa carência seja fruto de tanta relação fake no horizonte das amizades cotidianas. Isto é, vazio por dentro e por fora. Devemos nos emancipar subjetivamente para ser autênticos sujeitos de desejos. Entretanto, preencher de si mesmo o vazio existencial é como a leitura, a natação, a yoga, ou seja, experiências que implicam recolhimento e solidão. Temos a tarefa de sermos nós mesmos. Ou seguir nos afirmando na dependência do mural dos outros.
Jayme C.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
festa
Festa
com a galera dos vinte
Fui a duas festas onde
a faixa etária era vinte anos. Aliás, acho que se o instituto Gallup fizesse
uma pesquisa, apontaria precisamente os 21 como a média de idade de uma delas.
Fiquei por aproximadamente 47 minutos nela – foi o tempo de tomar uma dose de
uísque e questionar a minha presença lá. A dúvida surgiu inequivocamente por
uma razão inicial: não me senti acolhido e minha sensibilidade acusou. Sempre gosto
de sentir a vibe geral do lugar ao chegar nele para o dionisíaco. Só posterior
ao sentir negativo é que o meu lado antropólogo urbano tenta compreender em
linguagem o que já não curti. Daí percebi que a festa era de uma galera “jovem
ainda, jovem ainda, jovem ainda”, como dizia a inesquecível melodia do Chaves.
Preciso ser enfático nesse ponto: eram extremamente jovens. Era perceptível nas
faces, nas práticas e na (falta de) educação. Como o lugar estava bem cheio, a
ansiedade para chegar ao bar e conseguir uma bebida era atropelante. As garotas
não (a)pareceram como mulheres interessantes, entretanto, apenas como
garotinhas. E os papos que chegavam a meus ouvidos não eram deboches
qualificados, não faziam rir. Sei que tem pessoas interessantes e maduras em
todas as idades. Porém, em algumas circunstâncias, a maioria faz a força. Constitui
a vibe do lugar. E se a vibe desce na força, então alguém está fora do lugar.
Moral da história: prefiro lugares em que a mescla geracional seja mais para
cima do que para baixo. Afinal, já basta a juventude própria a ser coordenada
quando em seus rompantes de aparecimento.
Jayme C
terça-feira, 18 de junho de 2013
protesto
Menos mortos-vivos (sobre protestos e passeatas).
Acordamos em Porto Alegre menos mortos-vivos hoje. Com a sensação de que ainda sabemos na prática o que é a tão corrompida democracia. Quando após a saída da Rua Salgado Filho ingressamos na João Pessoa, avistamos que a marcha já chegava à elevada da João Pessoa e os que lá estavam pulavam e faziam uma onda humana. De esperança na mudança. A passeata desde sempre esteve revestida de significados. E naquela imagem que vinha acompanhada de cânticos e palmas revelou-se uma poesia fora do poema. Dentro das ruas. Tentando tirar a democracia de Congressos e outras cavernas platônicas e transformá-la em algo concreto, vivida como um fato. Há um sentimento de ressaca positiva na cidade. Mesmo alguns setores mais conservadores tiveram as suas sensibilidades tocadas e acharam bonito. Uma esmagadora maioria reivindicando da maneira como a Constituição convida. A violência contra tudo e contra todos é sempre nefasta e abominável de todos os lados. Ontem os policiais deram início para que não se caminhasse nas “imídiações” da Ipiranga com Érico Veríssimo. Jogaram bombas na direção de quem gritava “sem violência” e a partir daí incitaram a minúscula minoria de vândalos irresponsáveis que quebraram lojas, lixeiras e atearam fogo nos ônibus. Porém, na vida é sempre dessa forma. Em todos os grupos temos pessoas que agem com cidadania e as que não. A conquista simbólica do ocorrido ontem à noite já está pressente no brilho do olhar de inúmeras pessoas. E o recado para a classe dirigente está dado. Toda a decisão acerca de políticas públicas que prejudicar a vida das pessoas fará com que a cidade pare. E se passeatas pacíficas forem reprimidas pelo aparato policial, então mais pessoas sairão às ruas para fazer valer a Constituição. Afinal, estamos vivos!
Jayme C
Acordamos em Porto Alegre menos mortos-vivos hoje. Com a sensação de que ainda sabemos na prática o que é a tão corrompida democracia. Quando após a saída da Rua Salgado Filho ingressamos na João Pessoa, avistamos que a marcha já chegava à elevada da João Pessoa e os que lá estavam pulavam e faziam uma onda humana. De esperança na mudança. A passeata desde sempre esteve revestida de significados. E naquela imagem que vinha acompanhada de cânticos e palmas revelou-se uma poesia fora do poema. Dentro das ruas. Tentando tirar a democracia de Congressos e outras cavernas platônicas e transformá-la em algo concreto, vivida como um fato. Há um sentimento de ressaca positiva na cidade. Mesmo alguns setores mais conservadores tiveram as suas sensibilidades tocadas e acharam bonito. Uma esmagadora maioria reivindicando da maneira como a Constituição convida. A violência contra tudo e contra todos é sempre nefasta e abominável de todos os lados. Ontem os policiais deram início para que não se caminhasse nas “imídiações” da Ipiranga com Érico Veríssimo. Jogaram bombas na direção de quem gritava “sem violência” e a partir daí incitaram a minúscula minoria de vândalos irresponsáveis que quebraram lojas, lixeiras e atearam fogo nos ônibus. Porém, na vida é sempre dessa forma. Em todos os grupos temos pessoas que agem com cidadania e as que não. A conquista simbólica do ocorrido ontem à noite já está pressente no brilho do olhar de inúmeras pessoas. E o recado para a classe dirigente está dado. Toda a decisão acerca de políticas públicas que prejudicar a vida das pessoas fará com que a cidade pare. E se passeatas pacíficas forem reprimidas pelo aparato policial, então mais pessoas sairão às ruas para fazer valer a Constituição. Afinal, estamos vivos!
Jayme C
sexta-feira, 14 de junho de 2013
quem somos nós?
SOMOS
TODOS MEIO CARENTES
Somos todos meio
carentes. Alguns por mais tempo. Outros de uma forma muito intensa. E tantos
pelas circunstâncias. Cada um do seu jeito, isto é, a partir da sua história.
Entretanto, todos têm esse furo. Quando se é fadigantemente carente, pode se
crer que é uma exclusividade sua. Com um pouco mais de tranquilidade se percebe
que o fenômeno é geral. Algumas pessoas maquiam. Talvez eu seja uma delas. Por
vezes queremos transparecer não ter furos, porém temos dificuldade em somente ser
feliz com o viver a própria vida. Isto é, quando se está feliz, mas ainda falta
(alguma coisa). E o que falta é o reconhecimento do(s) outro(s). Nesse ponto
habita a identificação que compartilha o nosso cotidiano. Não desejamos apenas
o gozo da felicidade, queremos que o mundo nos reconheça enquanto felizes. Por
isso somos meio pilantras no facebook. E não qualifico essa pilantragem com
nenhum juízo de valor, afinal, Nietzsche já nos ajudou a desmascarar a moral enquanto
castigo artificial. Construímos o nosso eu virtual só com os nossos golaços. Só
as nossas fotos azeitadas, os nossos momentos incríveis, o lado bom da vida. Ao
agirmos assim tampouco percebemos que estamos buscando o tal reconhecimento do
outro frente a nossa felicidade. Só assim nos sentimos completos. De onde brota
essa necessidade?
Jayme C.
terça-feira, 4 de junho de 2013
micro-biografia dos amigos parte I
SOBRE O FIFO (micro-biografia dos amigos parte I)
O título só poderia ser esse: sobre o fifo!
Debochado como o seu personagem principal. Ideia do Mateus Massa (o próprio
fifo adaptou o original “Mapa”, devido ao Mateus ser um cara muito legal).
Sobre o fifo primeiro e fundamentalmente deve-se reconhecer a sua inteligência.
Ele estudou bem menos do que algumas pessoas como eu, muito embora seja muito
mais inteligente e perspicaz com relação à vida na prática. E a vida na prática
é onde as coisas acontecem de verdade, concretas, sentidas na pele. Esses dias
fomos ver o bloco da Laje na CCMQ e já semi-embriagados do vinho ele disparou:
“Quem é que quer saber de Foucault?!”, referindo especificamente quando se
está, por exemplo, na noite. E acertou na mosca! Quem convive com o fifo sabe
que ele pratica o maior ensinamento que ganhamos ao compartilhar a sua amizade:
na rua, depois do horário comercial, não se fala sério com quem não se conhece!
Debocha-se (com categoria) e se dá muitas risadas. No máximo se fala sério
brincando – debochando com os fundamentos. Assim, o fifo é uma das pessoas mais
leves para se conviver enquanto amigo. Enquanto amigo, pois, é manifesto, por
vezes, o seu desprezo contra pessoas fake e outros públicos vazios de
sensibilidade. No que eu fecho com ele sem tirar nenhuma crítica, pois também
desprezo a galera blasé do “Uruguai do norte”, maneira dele se referir ao que
chamo a província. Trabalhador pra caralho e responsável ao extremo com as
coisas sérias, o “cavalo” vai muito bem. Chef do excelente restaurante
vegetariano “Mantra” e ainda de quebra percussionista da melhor banda gaúcha no
momento – a Funkalister! A vida nesse aspecto parece saber devolver aqueles que
aprendem com ela. Que enfrentam seus obstáculos e desafios diários. O importante
é achar alguma forma de rir em meio as suas tempestades. Eis o maior legado
dessa amizade.
Jayme C
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