sexta-feira, 18 de maio de 2012

Banda Roda Viva - Chico Buarque

Roda Viva – los Chicos de la província.


Agora, morando longe da província, percebo o grande valor que a banda Roda Viva me prestou. Eu sempre gostei de Chico Buarque, desde o ventre de minha mãe. Entretanto, daí a não apenas ouvir, mas também dançar as canções, o momento que eu fiz com mais afinco certamente foi ao som da banda Roda Viva. As festas são mais que vivas, sempre são floridas. Há certo quê de primavera em suas celebrações dionisíacas. Claro que Chico não tem erro. Mas, eis mais uma qualidade Roda Viva. Acertaram em cheio em um tema para uma banda. Sempre me recordo, ou seja, volta a passar pelo meu coração, como Eduardo Galeano nos traduz em “abraços”, da primeira festa que fiz ao som dos Chicos da província. Era o finado “Bastidores”, na Av. Independência, passando o mais finado ainda “Encouraçado Boutikin”. Enfim, de lá para cá foram inúmeras letras de Chico que aprendi a cantar por tê-las dançado com tanta alegria em tais festas. Aprender a cantar, dançando. E como Jorge Ben nos recorda: “tem que dançar, dançando”. Agora, longe da província, quando lembro Chico no Cotidiano, naturalmente lamento por não ter a Roda Viva por perto. Era uma forma de dançar Chico, ao som bacana de uma boa banda.

Jayme Camargo da Silva



quarta-feira, 14 de março de 2012

não voe de “webjegue”

Sambinha pós-moderno – pagodinho cosmopolita (não voe de “webjegue”)

Sai de porto alegre às 15 horas com previsão de chegada à Brasilia às 19 horas. Voando pela webjet (doravante webjegue). Havia uma escala prevista para São Paulo no aeroporto de Guarulhos. Ao chegarmos a sampa, por volta das 17 horas, fomos informados que a conexão do nosso voo para Brasília já havia decolado. E sem maiores justificativas para tal. E que iríamos com um voo da Tam que partiria às 18 e 35. Quando estávamos nos dirigindo para o check in fiquei para trás, pois carregava comigo 83 kg de bagagem. É o preço de estar mudando de habitat. Detalhe, eu não sabia para onde o funcionário da webjegue estava levando as pessoas. E fiquei para trás. Tive que atacar um transeunte e pedir que desse uma olhada nas minhas malas, enquanto eu me despenquei correndo no meio do aeroporto para alcançar o tal funcionário e lhe solicitar que me esperasse. Daí em diante ocorreu um grave descaso da webjegue para conosco. O voo das 18 e 35 da Tam estava encerrado. Não havia previsão de quando partiríamos. Cogitou-se até pernoitarmos em um hotel e rumar à capital apenas no outro dia. Ficamos jogados no meio do aeroporto, em pé, sem água ou qualquer espécie de cuidado pelos funcionários da webjegue. Havia duas crianças de colo entre nós. Ficamos parados quase duas horas ali, sendo tratados sem a menor consideração pela empresa aérea prestadora do serviço.

A crise nos uniu. Solidários uns com os outros passamos a conversar e questionar qual medida adotaríamos. Resolvemos que acionaríamos o juizado especial cível ao chegarmos ao aeroporto em Brasília. O funcionário da webjegue nos trouxe vauchers para jantarmos em um restaurante do aeroporto. Nosso voo sairia para o nosso destino as 21 e 25. Jantamos e acabamos todos tomados pelo companheirismo na dificuldade. Após o desjejum fui fumar um cigarrinho digestivo antes de embarcar. E aí que a harmonia pós-moderna (cosmopolita) de São Paulo me cativou. Na frente do portão onde parei, o primeiro taxista da fila estava tocando um cavaquinho e cantando uns partidos de primeira em pleno aeroporto. E o detalhe: um dos fiscais cantando junto. Eles tocaram a meu pedido “água de chuva no mar”, da Beth Carvalho, e outros sambas do Fundo de Quintal. Tudo acontecendo na mais plena paz. Sem grandes olhares surpresos ou de reprovação. Foi um gabarito. Não pude deixar de ligar para o meu amor e cantarolar no acústico em Guarulhos – “o meu coração hoje tem paz, decepção ficou para trás, eu encontrei um grande amor, felicidade enfim chegou...”. Foi aí que me indaguei – quando isso aconteceria no aeroporto da província, o nosso comportado Salgado Filho?! Fiquei imaginando a cara que a galera fechada da província faria para nós caso lá acontecesse o mesmo fato. Pois assim, fica a dica, se você é um bom sujeito e gosta de samba, ao chegar a Guarulhos, procure o taxista-cavaquinista Sérgio, santista de carteirinha, e o seu carro número 119c. Com ele até o serviço mal prestado pela webjegue conseguiu ser superado. Uma questão de ser bom da cabeça e não ser doente do pé.

Jayme Camargo da Silva, as 22 e 44 do dia 10/03/2012, a bordo do voo JJ3180 (da Tam).

quinta-feira, 8 de março de 2012

dia internacional da mulher

O desejo das mulheres... (o dia de todos os dias)

As mulheres querem ganhar flores ao menos uma vez na vida. Querem uma vida de cores. Querem amenidades nos domingos de sol. Mas também namorar pelo menos uma vez na chuva. As mulheres querem não só a segurança na força, mas também a sensibilidade na compreensão. As mulheres querem se sentir a inspiração do cotidiano. Querem inspiração no dia-a-dia. Oxigênio na relação. Querem a poesia do algo-mais. As mulheres querem sentir a completude que vem no concretizar dos sonhos. Querem repousar a cabeça no colo e ouvir poesia na respiração. Querem a tranqüilidade em poder contar com alguém. As mulheres querem contar, narrar, descrever as suas pequenas coisas, comprometerem-se com um contexto. As mulheres em geral querem a maternidade. Querem se doar ao ser materna a idade. Querem compromisso no carinho. As mulheres querem maturidade no companheirismo. Desejo na saudade. Querem poder se entregar sem receio. As mulheres têm a vibração existencial refletida pela lua. E assim desejam o céu. Querem no seio – o nós. As mulheres querem o poder. De querer. As mulheres querem viajar mesmo sem sair do lugar. Querem divagar mesmo sem ter por que. Querem navegar mesmo não estando em alto mar. As mulheres querem diversidade para fugir da rotina. As mulheres querem prazer sem recesso. Querem sexo com prazer. As mulheres querem doces e travessuras. Querem ser percebidas em suas pequenas buscas. Querem ser reconhecidas em suas competências. Querem ser conhecidas verdadeiramente. As mulheres querem criatividade. Querem atividade na criação. Querem vibração. Querem o sanguíneo na adrenalina, mas o sangue frio na costura dos problemas. As mulheres desejam a insustentável leveza do ser. As mulheres querem o real na vida e assim uma vida real. Querem a existência na concretude. As mulheres querem atitude. Querem antídotos contra a falta de experiência. Querem ter preparado o café numa manhã de frio. Querem a cama aquecida pelo calor do corpo. As mulheres querem ser eternamente belas como Dorian Gray. E querem compreensão nessa aspiração. As mulheres querem o desvelamento no segredo dos olhos. Querem redescobrir antigos sentidos. Querem descobrir novos modos de conhecer a vida. As mulheres querem amar na altitude e serem felizes ao nível do mar. As mulheres querem responsabilidade nas questões essenciais. E querem essências no fundamental. As mulheres querem ser felizes. Querem tratamento de igualdade entre os iguais, mas de desigualdade entre desiguais. As mulheres querem a chance do mundo as querer enquanto mulheres. As mulheres querem o vinho no inverno e o venho no verão. As mulheres querem o feitiço da embriaguez de Dionísio. Mas também a solidez de Apolo. As mulheres querem que a vida seja mitologia. Querem importância no que as constitui. As mulheres querem o melhor. As mulheres querem poder chorar sem que as suas lágrimas sejam julgadas. As mulheres não querem ser esquecidas na identificação. As mulheres querem o direito de ter rompantes de maluquice. De ter centenas de pares de sapato - mesmo sem todos usar. As mulheres querem tomar sorvete aos sábados. As mulheres querem que os sentimentos vertam. Querem que a vida brote como na infância. Que preserve o encantamento das descobertas da adolescência. E que quando adultas que tenham força para efetivar suas ações. As mulheres querem a independência como um grande valor. As mulheres querem que todos os dias sejam dias dos desejos das mulheres...

Jayme C. – 8 de março de 2012 (dia internacional da mulher).

terça-feira, 6 de março de 2012

O café dos campeões (o sexo matinal)

para o amor cosmopolita

O café dos campeões (o sexo matinal)

Não há nada melhor que fazer sexo com muito tesão e amor. A combinação desses dois elementos garante bastante prazer. É como o café da manhã posterior a uma noite anterior de grande vitória em alguma região da nossa vida. É elementar que Beber um etílico imediatamente após a conquista é sempre um gostoso embriagante. Porém, o café da manhã posterior, tomado quase ao meio-dia, é de uma alegria incomensurável. Tal é o estado de espírito que reina quando você está começando uma relação e a paixão do cotidiano é transformada em fogo na cama. Depois de um dia maravilhoso, em que se passeia, dança e transa, vem a entrega para morfeu. E a manhã posterior é brindada com um sexo desvelador. Isto é, uma transa que retira o véu que é o desconhecido das primeiras vezes. Matutina ou matinal. Não importa o nome que se dê. Fundamental é ser o prazer no começo do dia. Ser o café dos campeões.

Jayme Camargo

sexta-feira, 2 de março de 2012

Do sushi ao prato feito

ao querido amigo Felipe Pimentel,
pela luminosa nobreza de alma.

Do sushi ao prato feito.

Meu sábado começou não sei se preguiçoso ou se covarde. Começou tarde. Quem faz samba ou amor normalmente se estende até mais tarde. Chico tinha que ser o poeta a musicar tal estado de espírito. Quem sabe esse estado de fato. Entre delongas e demoras havia tido um pé-palito na noite anterior. O samba... Depois de uma concentração na sacada feliz, a noite anterior propiciara uma dionisíaca festa. Grandes amigos reunidos garantem o desempenho do êxtase coletivo. E foi geral. Todo o grupo se jogou e dançou até o chão. Pois passaram por esta festa as razões da extensão da cama no sábado.

Juju e prima combinaram de almoçar. Ligaram-me por volta das 14 horas e eu ainda julgara impossível sair de casa. O amor... Disseram-me que almoçariam no “equilíbrium”. Restaurante natureba que fica próximo à Redenção. Fiquei baixado na sacada feliz até as quatro e meia da tarde. As meninas acabaram indo para a Padre Chagas (vulga calçada da fama). Estavam tomando um café no Z café quando eu me comuniquei. Programa chique. Em um nublado sábado que se anunciava chuvoso na província. A fama da calçada é inversamente proporcional à veracidade subjetiva de boa parcela das relações que lá se dão. Exatamente por isso a prima e a ju nada tinham a ver com essa carente estrutura. Já ouvi dizer que tal quadrilátero urbano é dos mais carentes da província. Carência, no caso da fama, deve se ligar ao fato da enorme quantidade de psicanalistas que lá estão.

Voltemos à verdade da calçada que naquela tarde residia em juju e priminha. Elas estavam lá dadas às qualidades do serviço. De fato, o alto PIB quase sempre garante a qualidade e o gabarito do serviço. As meninas passaram, pois, para me resgatar. Ao chegarem, relatei que não havia rangado ainda. Isto significava que o gordinho jejuava a mais de doze horas. Uma fome incomensurável. Minha pilha era comer uma alaminuta na Lancheria do Parque. Estava prestes a chover, a temperatura estava alta e a sensação térmica péssima, isto é, muito quente e abafado. Depois de uma deliberação entre eu, juju e prima, a lanchera foi vetada pelo calor. Eram cinco da tarde. Onde eu iria desjejuar? Pouco antes de partirmos, o que fora um dia nublado passava a ser um dia chuvoso.

Lembrei de uns botecos na Andradas que preparam uns pratos na hora. O almoço das maravilhosas amigas não havia sido no equilibrium. As meninas haviam almoçado sushi no Dado pub, ou seja, estavam no luxo da fama desde cedo. E eu louco por uma fritura no melhor estilo “junkee food”. Escolhemos um daqueles barecos que até climatizado era. Não passaríamos calor enquanto eu caísse no meu bife à parmeggiana com fritas, arroz e um caseiro feijãozinho. Só eu pedi comida, uma vez que as garotas estavam previamente “sushiadas”. Porém, não saciadas... Depois de uns vinte minutos aportou um bonito e cheiroso prato em nossa mesa. Elas que degustavam apenas sucos naturais ficaram tentadas às batatas fritas. E assim provaram. E aprovaram. Mesmo para quem havia saído da fama, aquela apetitosa refeição se mostrou como um desejo. E não hesitaram. Chamaram à atendente e imediatamente pediram um prato daqueles para ambas. Pensei, puxa vida, o sushi não se apresentou com substância. Talvez tenha sido apenas o prazer de um alimento que elas gostem. Mas se mostrou insólito em sua consistência. Ficou essa questão, será os sushis da calçada um símbolo da inconsistência antropológica da “fama”?

Jayme Camargo 2009/2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

direitos humanos - sobre "memória, justiça e verdade"

“Para a era sem porvir, só o passado tem futuro”

N. B. Peixoto – M. C. Olalquiaga

Um argumento a favor de “memória, justiça e verdade”.

Uma das principais teses da filosofia contemporânea é que a verdade é sempre histórica. Segundo esses autores, nosso cotidiano é composto por vivências que são sempre vivências da época histórica que estamos inseridos. Por exemplo, automóveis, rodovias, semáforos e placas de sinalização são instrumentos que utilizamos para vivenciar o transito. O transito, em sua essência, não é um objeto, porém um instrumento que torna possível um determinado modo de viver o cotidiano; nesse caso, quando precisamos nos deslocar de um lugar para outro no espaço em que vivemos. Não há nada mais verdadeiro que as nossas vivências cotidianas, pois nelas existimos concretamente. Dessa forma, se as vivências se dão a partir de instrumentos históricos, e ao mesmo tempo nos são o mais verdadeiro, então o mais verdadeiro também deve ser histórico. A verdade é histórica. Nesse horizonte, o governo brasileiro através da secretaria nacional de direitos humanos está implementando as comissões da Verdade – para apuração dos fatos ocorridos durante os anos de estado de exceção no Brasil. Tornar pública a verdade dos acontecimentos em nossa história é um direito humano que se materializa enquanto direito à memória. A importância desse instrumento histórico está em evitar que o horror da ditadura se repita a partir da informação das novas gerações. A memória da verdade se mostra como o instrumento histórico da justiça. Rememorar o cotidiano vivido durante os “anos de chumbo” está organicamente enraizado em nossa condição humana. É a nossa vivência histórica.

Jayme Camargo da Silva – Fórum Social Temático 2012

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

paixão e amor - identidade e diferença

A paixão na identidade e o amor na diferença

Normalmente nos apaixonamos por pessoas que julgamos serem parecidas com a gente. Que compartilhamos gostos. Musicas, filmes, lugares. Sentimos frio na barriga quando estamos nos apaixonando a cada objeto compartilhado. Nossa paixão é altamente identitária. É o nosso ardente desejo pelo espelho. Entretanto, as paixões costumam ter prazo de validade. São finitas. E às vezes acabam com a gente. E aí não conseguimos entender como toda aquela afinidade não resistiu ao tempo. E em muitos casos não sobrevive. Apenas a menor parcela das paixões transforma-se em amor. E só se transformam em amor aquelas que cumprem uma condição. As que as afinidades objetivas viram crescimento. Aquelas no qual o jeito do outro nos agrega pela sua diferença. Quando na convivência aprendemos com as suas virtudes. E vice e versa. Essa troca gera o crescimento sem dor. Único modo humano que temos de crescer sem sofrimento é pelo aprendizado no amor. De resto, geralmente só aprendemos sofrendo. Por exemplo, nos casos em que a afinidade não vira amadurecimento. Casos em que os objetos das paixões nos criam ilusões. Viram amor as paixões de sujeitos de jeitos diferentes. Sujeitos só jeito. Onde cada evolução marca as experiências de ambos. Onde a intimidade revela cobranças que valem à pena – que nos trarão benefícios ao longo do tempo. Aquelas pequenas cobranças que tantos amores fizeram e que surdos não demos bola. É triste quando apenas um está preocupado com o crescimento. Significa que na prática só um está amando. Aqueles que não recebem aprendizados sentem-se não-amados. E em geral uma relação não se suporta sem a admiração. E em sua maior virtude habita o amor na diferença.
Jayme Camargo da Silva

terça-feira, 8 de novembro de 2011

sobre o hibridismo

A expressão do ser humano a partir do hibridismo.

Nosso cotidiano é carregado de inúmeros jeitos de ser. As pessoas são todas diferentes. Cada uma agindo a partir da sua própria história. Capazes de vivenciar infinitos comportamentos. Estilos de cabelo. Estilos de cabeça. Em alguns, por vezes, carecas de estilo. Nosso cotidiano é um delicioso vale-tudo. Basta vermos a beleza de ser tudo diferente. Múltiplas cores. Nas pessoas e nas vivências. A vida é um arco-íris se percebida desde a diferença. É como a natureza. A borboleta púrpura sobrevoa a rosa que o beija-flor beija e toda essa cena um colorido. É uma trama onde cada um vive o personagem de si mesmo. Nossas fantasias secretas que guardam os nossos mais íntimos desejos. Somos sujeitos de desejos. Cada um narrando a sua própria vida em cada movimento. O movimento elimina o pré-conceito. Nunca podemos prevê-lo. Isso significa nunca sabermos de antemão como será qualquer vivência. As experiências são sempre diferentes. E as pessoas se misturam nelas. Ao nos misturarmos uns com os outros tornamos as experiências mais ricas – mais vivas. As expressamos cada um de uma forma. Diferentemente, somos humanos. Eis a nossa existência enquanto hibridismo.

Jayme Camargo da Silva – PUC/RS-CNPq

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A música – crônica de minha existência.

à Joana

A música – crônica de minha existência.

(a felicidade)

a vida é uma gota de orvalho numa pétala de flor. Cai como uma gota de amor.vivemos milhares de experiências de tristeza e dor até chegar aos raros momentos de felicidade. Delicada vida. Perdemos pessoas de morte morrida e de morte no amor. São as duas formas que humanamente temos de perder o outro. E perdemos demoradamente, também aos milhares, para conseguir os pequenos espaços de beijos de amor. Há no cotidiano uma máxima: “tristeza não tem fim, felicidade sim”. Tal máxima significa a nossa máxima dor. Não há vento que afaste a nossa fantasia, de rei ou de pirata ou jardineira, de tudo não se acabar na quarta feira. As cinzas, porém, são inevitáveis. Por vezes perdemos porque terminamos, por outras terminamos porque perdemos. A grande ilusão que temos do não ter fim o carnaval. Mas, Todo carnaval tem seu fim. Abrandamos a nossa alma com pequenas poções de ilusão. É a pluma do vento que nos leva pelo ar. Nossa felicidade voa tão leve, mas tem a vida breve. É o sonho que, por sua condição, nunca sabemos quando vamos sonhar. Para que acordemos alegres como o dia, atravessamos várias noites frias. Há Travessias. Entretanto, o nosso desejo: Travessuras. O ideal maduro, acreditamos, travessias que propiciem gozos em forma de travessura. Que tenham Cores. Que viva a natureza há flora. Que floreça e que aflore. Há um certo “Tom” na vida: Tristeza não tem fim, Felicidade sim.

Jayme Camargo da Silva,
No capão novo de 30 de outubro de 2011, às 03:07.
(ao som do “caríssimo” João Gilberto)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A província psicótica (o surto tricolor na decisão da Libertadores de 2007)


é fundamental debochar de si mesmo


A província psicótica (o surto tricolor na decisão da Libertadores de 2007)


Esses fatos aconteceram no não distante ano de 2007 na província de POA. Foi quando houve um surto psicótico em mais de metade da população habitante. As pessoas pareciam zumbis tomados pelo pensamento mágico. O grêmio com um time nada além de regular foi a bomboneira decidir a libertadores e levou um pau do boca juniors. 3 a 0 na cola e o pior surto psicótico em décadas nos gaúchos: os gremistas acreditavam que poderiam fazer 4 a 0 e sagrarem-se campeões na partida de volta no Olímpico. Tinham teses mirabolantes que iam desde o retrospecto último da época, até a eterna e surrada imortalidade tricolor. De fato o grêmio havia virado um 3 a 0 contra o Caxias pela semi-final do gauchão. O que levou a oficialização da psicose pelo diretor da época: “O boca juniors é o Caxias com grife”. Puxa vida, frase antológica, mas fanfarrônica! Ora, o grêmio da época era o Caxias com grife. No gol, Sebástian Saja, muita grife hermana, mas pouca bola – na posição decisiva, pois que faz o time não perder. O centroavante camisa 9, isto é, a posição que faz ganhar – Tuta, um pecherão que não jogava nada. E o “fiador” do time, o camisa 10, Tcheco, um jogador medíocre que nunca ganhou nada. O Boca um timaço com “pato” Abondanzieri, Palacio, Palermo e Riquelme. E os gremistas não estavam nem aí para a diferença dos times. Foram contaminados pelo vírus da magia tricolor.


Achamos um vídeo da época que comprova o argumento do surto. Comentaremos passo a passo para ilustrar alguns aspectos de como a província vivenciou a epidemia.


1) A primeira dama do almoço na província se “equívoca”, logo aos 5 ss de vídeo ao falar “derrota gremista, aliás, derrota brasileira”, secadora que deve ter olhado o jogo na cama do inimigo; se pausa-se nos 16 ss de vídeo dá para ver direitinho a cara de deboche por dentro dela pela derrota e esquizofrenia gremista por acreditar na virada; 2) aos 30 ss um dos primeiros infectados que trouxeram o vírus de Buenos Aires deu o seu depoimento – a voz rouca denunciava a batalha da bomboneira “quarta feira vamos levantar o caneco”, diz o miserável sorrindo; 3) a tese de sempre do sofrimento característico das conquistas gremistas: até pode ser que as conquistas tenham sido assim, mas as vezes é sofrido porque é um grêmio sofrível e não um grêmio campeão (aos 30 ss o camelô gremista com a esperança no olhar); 4) aos 57 ss a prova de que o surto atingiu até os mais velhos, pois um senhor de seus 60 anos disse acreditar: “o que é que custa ganhar do boca”, disse o velho. Como assim o que é que custa, cara-pálida?! Custa a Boca! 5) a 1 min e 17 ss a companheira da primeira dama do almoço fala para o Paulo “Grito” – “tá complicado, mas o que tem de gente falando em milagreeee”; 6) aos 2min e 27ss um dos auges da psicose – a expulsão de Sandro Goiano, isto é, o maior símbolo de que os aflitos foi muito mais um barraco que uma batalha, esse jogador é o símbolo de uma década de derrotas gremistas (2001/2011). Confundir batalhas com barracos significa glorificar perdedores (e nesse caso alguns casos do vírus até hoje não curados...); 7) aos 3min e 12ss o gol contra mostrava o sintoma “patricius” no surto psicótico da província; 8) aos 3 min e 33 ss atrás do repórter um grupo de torcedores que foi ao aeroporto receber o time, dá para ver bem direitinho o abobado falando na roda de amigos numa postura do tipo: “é certo que vamos ganhar, o grêmio é imortal”; 9) e aos 3min e 42 é hilário um dos guris abrindo um cartaz de cartolina com os dizeres “eu acredito”; 10) aos 3 min e 46 não menos hilário o depoimento de um dos Eufóricos guris psicóticos; 11) e, para finalizar, aos 3 min e 58, os surtados do cartaz abrem ele e a câmera foca “eu acredito e sei que vocês Também acreditam”, ou seja, “tamo-junto” nessa loucura pessoal... Infecção generalizada. Admito que em alguns momentos também acreditei.


Jayme Camargo é gremista e freqüenta o Olímpico desde 1991.